O vocabulário do centro auditivo: de Portugal para o Brasil
Não é purismo linguístico — é confiança. Um site ou um sistema claramente traduzido do Brasil sinaliza a um utente português, em segundos, que "isto não foi pensado para mim". Este artigo é um pequeno glossário do que muda, e uma explicação de porque a tradução automática costuma falhar precisamente onde mais se nota.
O vocabulário do dia a dia
| Português do Brasil | Português de Portugal |
|---|---|
| usuário | utilizador |
| paciente | utente |
| senha | palavra-passe |
| cadastro | registo |
| equipe | equipa |
| celular | telemóvel |
| endereço | morada |
| tela | ecrã |
| arquivo | ficheiro |
| faturamento | faturação |
| gerenciar | gerir |
| salvar | guardar |
| excluir | eliminar |
| agendamento | marcação |
| contato | contacto |
Porque "utente" e não "paciente"
Nos serviços de saúde em Portugal, "utente" é o termo institucional — é a palavra que o Serviço Nacional de Saúde, as farmácias e as clínicas usam. "Paciente" não está errado, mas soa a tradução — e num setor onde a confiança do cliente é o próprio negócio, esse detalhe conta.
Onde a tradução automática mais falha: a concordância de género
Trocar só o substantivo não chega quando o género gramatical muda entre as duas variantes. "Agendamento" é masculino em português do Brasil; "marcação" é feminino em português de Portugal. Um sistema que troca a palavra mas não a frase produz erros como "Próximos Marcações" ou "Nenhum marcação" — que denunciam a tradução automática exatamente no momento em que o utilizador está a tentar confiar no sistema.
O mesmo acontece com particípios: "agendamento cancelado" vira "marcação cancelada", não "marcação cancelado". É um detalhe pequeno, mas é o tipo de detalhe que se nota mais em software do que em texto de marketing, porque aparece repetidamente, em todos os ecrãs.
Um pequeno teste, se está a avaliar um fornecedor
Se está a escolher um sistema de gestão, um site, ou até a rever um contrato de um fornecedor que diz servir Portugal, vale a pena procurar por estas palavras — a presença delas é um sinal de tradução literal, não de produto pensado para o mercado português:
- "usuário" em vez de "utilizador"
- "agendamento" em vez de "marcação" (nos ecrãs, não só no texto de venda)
- "celular" em vez de "telemóvel"
- valores em reais (R$) por defeito, ou datas no formato mês/dia
Nenhum destes detalhes, isolado, é grave. Juntos, são o sinal de que o produto foi adaptado por fora — traduzido — em vez de construído a pensar em quem o vai usar todos os dias num centro auditivo português.
O Audiara nasceu em português do Brasil e foi adaptado a sério para Portugal — vocabulário, euro, NIF, fuso horário e RGPD, não apenas a superfície.
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